A GAROTA DA CAPA

22.06.08_-_REVISTA_CAPRICHO

Eu leio Capricho desde que o desenho animado deixou de ser minha atração principal de passatempo. E isso faz uns longos anos, porque sabe, eu tenho quase 30 (e quando eu digo quase, é assim, falta pouco e já tem uma lágrima aqui se formando no canto do meu olho esquerdo). Eu lembro a alegria que foi quando minha mãe contou que ia assinar a revista pra mim e pra minha irmã. E lembro também a alegria dobrada que era toda vez que ela renovava assinatura. Emprestar minhas revistas, meu Deus do céu que coisa dolorosa. Mas algumas amigas (que não te convidam hoje em dia para seus casamentos, mas que na época ocupavam o patamar de melhores amigas quando essas modernidades de bff não existiam) tinham esse bônus. Melhor mesmo era juntar uma quantidade grande de meninas e rir horrores com experiências de meninas que já eram quase adultas e davam relatos de coisas tão distantes da nossa realidade como sexo, ou ir para Nova Iorque, por exemplo.

Quantas lágrimas caíram danificando o papel enquanto a gente fazia testes para saber se era compatível com o menino da sétima série quando você estava na quinta, ou até mesmo com o integrante de alguma boy band, porque nossa, a gente (eu e o cara da boy band) tinha tudo pra dar certo, ele tinha o mesmo sabor de sorvete que eu, mas infelizmente, o teste da Capricho me informou que não, não ia rolar. Os testes de carreira então eram uma maravilha. Eu ia ser uma cantora muito bem sucedida, ou uma empresária de sucesso e, no futuro presente, é mais fácil eu ter filhos com o cara da boy band que ser bem sucedida, mas ok também.

E as dicas de moda? Até hoje eu sigo algumas. Verdade.

Aí chegou o tempo em que meu recalque, se pudesse dar aquelas marretadas naqueles brinquedos de parque que medem força, faria mais pontos que minha avó já fez a vida toda na Tele Sena. Eu queria morrer sempre que a Gisele Bündchen saía na capa (e isso foi um total de 32163545 de vezes). Eu achava que era porque eu queria a boy band lá, mas a verdade, lá no fundinho, nem tão fundo assim, era que eu é que queria estar na capa.

E depois (muito depois), quando minha mãe disse “ok, gente, vocês tão bem grandinhas, chega” Eu quis arrumar um emprego logo pra poder bancar meu vício pela revista.

E como trabalhar é um saco, um belo dia quando fui demitida do meu estágio favorito, resolvi tentar a sorte (e ser feliz) e participei da seleção da revista para ser colunista escrevendo através do meu blog e TCHARAM! Fui selecionada. A minha imaginação é uma coisa terrível. Ela funciona demais e eu já podia me ver na redação, linda e rica e influente e indo nas festas e desfiles e shows e aparecendo na televisão, mas claro que não deeeer.  Mesmo assim, eu saí na revista (algumas vezes) e eu queria sempre imprimir e colocar num quadro (mesmo que na realidade eu sempre achasse que eu merecia muito mais a capa).

“Mas, Monique! Você é velha” É, mesmo? E você não assiste mais desenho nem toma mais Nescau porque tem mais de 12?

A coluna acabou, e eu chorei. De verdade. E agora a revista acabou também (SEM NUNCA TER COLOCADO JARED LETO COMO COLÍRIO, QUE ABSURDO) e sem Monique na capa, mas continua digitalmente, justamente o assunto que uma vez eu escrevi e que apareceu na revista.  Vê? Eu merecia essa bendita capa!

IMG_0283

Se eu contar que há mais de 6 anos o site tá nos meus favoritos, é ok, ou vão me mandar crescer?

nickass

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